guia

Nota de Corte do SiSU: Por Que a Média Simples Engana e Como Calcular a Sua de Verdade

Neves Scholar
8 min de leitura
Nota de Corte do SiSU: Por Que a Média Simples Engana e Como Calcular a Sua de Verdade

A nota de corte do SiSU é comparada com uma média ponderada, e cada curso escolhe os próprios pesos. Veja com dados oficiais do SiSU 2025 por que a mesma pessoa tem médias diferentes em cada curso e como calcular a sua.

Nota de Corte do SiSU: Por Que a Média Simples Engana e Como Calcular a Sua de Verdade

Todo ano, logo depois do ENEM, a mesma conta se repete em milhares de cadernos: somar as cinco notas, dividir por cinco e comparar o resultado com a nota de corte que apareceu na internet. Parece lógico. Só que os dois números não falam a mesma língua.

A nota de corte do SiSU não é comparada com a sua média simples. Ela é comparada com uma média ponderada, e quem escolhe os pesos é cada curso de cada universidade. A mesma pessoa, com as mesmas notas, tem uma média diferente para cada opção que pensa em escolher.


O que é, exatamente, a nota de corte

A nota de corte é a nota do último candidato classificado dentro das vagas de um curso, numa modalidade de concorrência (ampla concorrência ou uma das cotas). Durante as inscrições, o sistema recalcula essa nota todos os dias com as escolhas de quem já se inscreveu, por isso ela sobe e desce até o último dia.

Duas consequências práticas:

  1. A nota de corte de uma edição não é promessa para a seguinte. Ela depende de quem concorreu naquele ano. Nos dados oficiais do SiSU, a nota de corte de um mesmo curso se moveu, em mediana, cerca de 15 pontos de 2024 para 2025.
  2. Ela vale por modalidade. A nota de corte da ampla concorrência e a de cada cota são números diferentes, porque as vagas são separadas.

A conta que o SiSU faz

A média que o SiSU usa é esta:

média = (nota de cada área × peso dela), somadas, divididas pela soma dos pesos

As cinco notas são as do ENEM: Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Matemática e Redação. O peso de cada uma é definido pela universidade no termo de adesão ao SiSU, curso por curso. Um curso de Engenharia costuma pesar mais Matemática e Natureza; um de Direito costuma pesar mais Linguagens, Humanas e Redação.

Um exemplo com dados oficiais

Pegue um estudante com estas notas no ENEM:

  • Linguagens: 620
  • Ciências Humanas: 640
  • Ciências da Natureza: 700
  • Matemática: 820
  • Redação: 880

A média simples dá 732,0.

Agora os pesos reais de dois cursos da Universidade Federal de Pernambuco, no campus Recife, na edição 2025 do SiSU:

Engenharia Civil (integral). Pesos: Linguagens 1, Humanas 1, Natureza 3, Matemática 3,5 e Redação 1,5. A conta fica (620 × 1 + 640 × 1 + 700 × 3 + 820 × 3,5 + 880 × 1,5) ÷ 10 = 755,0. Nota de corte da ampla concorrência em 2025: 688,49.

Direito (matutino). Pesos: Linguagens 3, Humanas 2, Natureza 1, Matemática 1 e Redação 3. A conta fica (620 × 3 + 640 × 2 + 700 × 1 + 820 × 1 + 880 × 3) ÷ 10 = 730,0. Nota de corte da ampla concorrência em 2025: 767,26.

Na mesma universidade, o mesmo estudante tem 755,0 em Engenharia Civil e 730,0 em Direito. São 25 pontos de diferença entre um curso e outro, e nenhum dos dois números é o 732,0 da média simples.

Quem comparasse a média simples com o corte de Engenharia Civil acharia que tem 43 pontos de folga. Na conta do SiSU, a folga é de 66.


As eliminações que a média não mostra

Além da média, cada curso pode exigir:

  • Nota mínima por área. Na Engenharia Civil do exemplo, a UFPE pede pelo menos 550 em Matemática e 550 na Redação. Quem tira 540 em Matemática está fora, mesmo com média acima do corte.
  • Média mínima geral. Alguns cursos exigem uma média mínima independentemente da concorrência.

Zerar a redação também elimina. Por isso, conferir só a média é olhar metade da regra.


Como usar isso antes e depois do ENEM

Antes da prova, a conta serve para estudar com foco. Se o curso que você quer pesa Matemática 3,5 e Linguagens 1, cada ponto em Matemática vale três vezes e meia mais na sua média do que um ponto em Linguagens. Isso muda onde vale a pena colocar as últimas semanas de estudo.

Depois da prova, com o boletim em mãos:

  1. Calcule a média ponderada de cada curso que você considera, com os pesos daquele curso.
  2. Confira as notas mínimas por área de cada um.
  3. Compare com a nota de corte da última edição na sua modalidade, sabendo que ela costuma oscilar alguns pontos de um ano para o outro.
  4. Trate como empate técnico qualquer diferença pequena entre a sua média e o corte. Uma margem menor que a oscilação típica não diz nada.

O jeito rápido: o Simulador SiSU

Fazer essa conta à mão para cada curso dá trabalho e abre espaço para erro. O Simulador SiSU da Neves Scholar faz isso com os pesos, as notas mínimas e as notas de corte oficiais da última edição: você digita suas cinco notas, escolhe os cursos e vê a média ponderada de cada um ao lado da média simples, a diferença entre as duas, as eliminações por nota mínima e a distância para o corte.

E se o ENEM ainda não aconteceu, o melhor uso das próximas semanas é subir as notas que mais pesam no curso que você quer: os simulados do ENEM por área mostram em qual delas você está perdendo mais pontos.

Pesos, notas mínimas e notas de corte: SiSU 2025, dados oficiais do MEC. Foto da capa: Steve Buissinne (CC0), via Wikimedia Commons.